Sob nova gestão, BMG quer reformar modelo de negócio

26 nov, 2012 | Nenhum Comentário »

A partir de hoje, o banco mineiro BMG está sob novo comando. Controladora do banco, a família Pentagna Guimarães sai de cena para dar espaço à gestão profissional. Alcides Tápias, ex-executivo do Bradesco e da Camargo Correa, assume a presidência do conselho de administração do banco, substituindo Flávio Pentagna Guimarães. Ricardo, filho de Flávio, cede lugar a Antônio Hermann, executivo com experiência no mercado financeiro.

Segundo Hermann, as tratativas para que os executivos assumissem o BMG começaram no início deste ano. Ambos já vinham prestando serviços de consultoria para o banco mineiro há diversos anos, por meio da Aggrego. “Era hora de fazer uma mudança. A gestão profissional é sempre bem-vinda”, diz Hermann. Ainda dependendo da aprovação do Banco Central, nesta segunda-feira, os executivos já assumem informalmente seus postos no banco.

Hermann e Tápias devem dar início a um processo de transformação do modelo de negócios do BMG. Em julho, o banco mineiro fechou uma joint-venture com o Itaú Unibanco, criando um novo banco, o Itaú BMG Consignados, com estreia das operações prevista para 1º de dezembro. O Itaú tem 70% da instituição.

O acordo trouxe alívio ao BMG. Em uma ponta, o Itaú se comprometeu a dar ao banco mineiro R$ 300 milhões em “funding” por mês por meio da compra de carteiras de créditos por um período de cinco anos. Ao mesmo tempo, a estrutura de custo do BMG se tornará mais enxuta, já que toda a força de vendas do banco migrará para o Itaú BMG.

Da produção gerada pelo Itaú BMG, 70% ficará dentro da nova instituição. Outros 30% ainda vão para o BMG. Apesar disso, na época do acordo, a previsão era que, com o tempo, o BMG isoladamente fosse encolher dos atuais R$ 30 bilhões de carteira de crédito para algo em torno de R$ 10 bilhões. Hermann diz, porém, que o BMG vai avaliar outras “oportunidades de negócios”, sem dar mais detalhes.

O acordo com o Itaú Unibanco foi costurado em meio a um momento delicado para o BMG. Naquela época, o banco vinha enfrentando muitas dificuldades de captação no mercado, principalmente depois da intervenção do Banco Central em outra instituição focada no crédito consignado, o Cruzeiro do Sul. Em meados deste ano, investidores externos do BMG se mostraram bastante preocupados com as condições do banco de honrar seus compromissos, o que foi resolvido a partir da parceria.

A profissionalização do banco também se dá em meio a uma decisão da Justiça mineira de condenar Flávio, Ricardo e o vice-presidente do banco Márcio Alaor de Araújo à prisão. A avaliação da Justiça é que eles foram responsáveis por empréstimos simulados ao PT e a empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza, já condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo do mensalão. Em dezembro do ano passado, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro havia convertido uma pena de inabilitação a administração de instituições financeiras, anteriormente imposta pelo Banco Central na avaliação do caso, em uma multa. Os controladores e o executivo do BMG ainda recorrem da decisão da Justiça mineira.

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