Cuidado com as certifica√ß√Ķes profissionais oferecidas

Estou percebendo que algumas pessoas est√£o deixando de lado a import√Ęncia da gest√£o de compliance, e buscam comercializa√ß√£o do produto de certifica√ß√Ķes na √°rea de compliance e come√ßam a surgir e a e demora a ganhar reconhecimento, ao contr√°rio do que se imagina, o risco da desvaloriza√ß√£o do trabalho realizado pelos profissionais de compliance √© iminente e inerente ao processo de venda a qualquer custo de certifica√ß√£o, que na verdade √© uma capacita√ß√£o, pois est√£o banalizando tanto a atividade, e vale a pena salientar que at√© mesmo algumas consultorias, at√© ent√£o desconhecidas e com profissionais iniciantes no assunto, oferecem trabalhos que n√£o possuem embasamento e n√£o se sustentam ao longo do tempo, por falta de base de conhecimento em muitos itens, e olha que h√° algum tempo venho dizendo para ser um “Compliance Officer” n√£o basta conhecer de PLD e Corrup√ß√£o temos v√°rios itens importantes e controles internos √© essencial para uma gest√£o de riscos integradas.

Algumas empresas oferecem certificação de compliance e anticorrupção/antissuborno, mas na realidade não passa de um curso de especialização, e você tem que buscar se especializar com quem realmente entende do assunto e vai agregar com exemplos reais, conhecimento práticos, conceitos aplicáveis e metodologias que foram testadas e implementadas.

Sem contar algumas pessoas que n√£o conseguem superar o nosso trabalho e ficam tentando difamar as pessoas, para que possam oferecer seus treinamentos e seus servi√ßos, mas quem conhece bem os profissionais que n√£o s√£o “modinha” e j√° est√£o h√° alguns anos na lida de mapeamento de processos, controles internos e compliance, com in√ļmeros treinamentos, artigos, alunos, clientes e universidades em seu curr√≠culo, n√£o se desespera pela falta de √©tica e posturas destas pessoas.

Vivemos em um país onde a lei do menor esforço e oportunismos estão prevalecendo, não é um processo de certificação totalmente embasado em políticas na missão de minimizar os riscos de corrupção, que vai mudar isso. Alguns cursos são criados sem se preocupar com a credibilidade e aplicabilidade da gestão de compliance, na verdade levantam uma grande cortina de fumaça onde as pessoas não conseguem ver o que realmente estão oferecendo.

Acredito que este formato superficial levar√° estes profissionais que acreditam e querem adentrar ao mundo do compliance, pois √© a palavra e profiss√£o do momento, pelo menos no Brasil, tendo em vista os esc√Ęndalos, mas algu√©m poderia me explicar as fraudes do Banco Panamericano e do JBS, duas empresas com Governan√ßa, auditorias e conselheiros de administra√ß√£o e fiscal, e tudo isso aconteceu? N√£o importa ter uma √°rea de compliance com profissionais certificados, a nossa independ√™ncia vai at√© a p√°gina 7 (sete), pois recebemos sal√°rios da organiza√ß√£o e quando a alta administra√ß√£o quer fazer, n√£o tem que segure.

As nossas empresas estão muito atrasadas no desenvolvimento e no amadurecimento das práticas de controles internos e compliance, agora para que o Brasil possa alçar grandes voos no cenário internacional, temos que iniciar um processo de recuperação da credibilidade, para que possamos ser competitivos novamente.

Agora com estes processos de certificação massificados, e alguns de baixa credibilidade com custos absurdos, e sem contar que as empresas não solicitam profissionais certificados, estão solicitando profissionais que entendam o que estão fazendo, que possam realmente agregar valor ao negócio e consigam explicar para todos na organização o que estar em compliance, vai ser complicado.

Portanto os trabalhos s√©rios, que s√£o conduzidos por profissionais de compliance de alta capacita√ß√£o, seriedade e experi√™ncia, ser√£o igualados a outros n√£o t√£o bem desenvolvidos e eficazes, mas tem certifica√ß√£o, n√£o sabe gerir uma crise de compliance, mas √© um “Compliance Officer”. Estamos proporcionando um nivelamento por baixo, que geralmente pouco agrega valor para as empresas e para o mercado. Estamos comprando um selo que visa simplesmente a alimenta√ß√£o de grandes cadastros corporativos, mas que pouco ser√£o capazes de garantir uma mudan√ßa no atual cen√°rio do mercado e das pr√°ticas corporativas fora do padr√£o que foram enraizadas em muitas das nossas principais organiza√ß√Ķes.

Acredito que as certifica√ß√Ķes tem como um proposito dar credibilidade, mas na √°rea de compliance s√£o perigosos, at√© mesmo porque a gest√£o de compliance √© um caminho sem volta, as a certifica√ß√£o deve ter um organiza√ß√£o que tenha credibilidade para oferecer e acreditar poss√≠veis instrutores e empresas a capacitar de forma digna e com realidade qualquer profissional que queira demonstrar o seu valor, mas lembrem-se n√£o √© um t√≠tulo ou certificado que determina o profissional, s√£o suas conquistas e trabalhos implementados que lhe dar√£o credibilidade.

J√° vi trabalhos de muitos diretores de compliance de grandes empresas, ¬†que foram desprezados por falta de consist√™ncia e aplicabilidade, muita gente tem buscado notoriedade por meio de colocar um selo de pouco valor real para as organiza√ß√Ķes (at√© a pessoa que faz a certifica√ß√£o fica questionando o valor) e por um ¬†monte de fal√°cias sem refer√™ncias praticas, portanto n√£o vejo ningu√©m melhor do que estes profissionais, que conhecem profundamente as melhores pr√°ticas, leis e diretrizes de uma gest√£o de compliance efetiva, sem f√≥rmulas mirabolantes e processos que dificilmente ser√£o seguidos por algu√©m, devemos avaliar e se poss√≠vel frear estas iniciativas, no m√≠nimo, oportunistas que aproveitam de pessoas que anseiam pela especializa√ß√£o em compliance, se deixam levar por algumas promessas vazias. Lembre-se que a valoriza√ß√£o do seu conhecimento e do seu trabalho √© que est√° sendo questionada.

Temos algumas dicas sobre os processos de certificação, até mesmos sobre quantos certificados já foram emitidos pela tal certificadora e quais empresas os receberam, e se possível for compare esses dados com a realidade brasileira e avalie. Certificar um profissional é importante, mas não significa que a empresa por possuir um profissional certificado está protegida de falhas. E quando falam em empresas certificadas, avalie quanto tempo levou para isso e que auditou o processo e sem tem credibilidade.

Tenho realizado in√ļmeras palestras e treinamentos sobre a dissemina√ß√£o da cultura da compliance e tenho meus resultados de como avaliei a organiza√ß√£o, mas como podemos fazer a an√°lise cr√≠tica por parte da certificadora quanto √† an√°lise de riscos de compliance da organiza√ß√£o certificada?

Quando puder examine qual metodologia o organismo certificador adotou para avaliar os objetivos e metas do sistema de gestão de compliance da empresa certificada e compare a proporcionalidade frente aos riscos de corrupção inerentes às características da empresa e do negócio, você vai se assustar com o resultado.

Acho que o Compliance Officer pode estar capacitado para analisar essas informa√ß√Ķes e questionar aspectos que considere relevantes a cada certifica√ß√£o oferecida, desde que conhe√ßa realmente o neg√≥cio no que tange as fragilidades, vulnerabilidades e seus processos dependentes de pessoas.

Custo para abertura de capital fica em torno de 4,8% do valor da oferta inicial nos √ļltimos 12 anos

Resultado de imagem para abertura de capitalOs dados revelam que o custo para a abertura de capital no Brasil ficou em 4,8% do valor distribu√≠do das ofertas iniciais lan√ßadas pelas empresas que fizeram IPOs (initial public offerings, ou ofertas p√ļblicas iniciais de a√ß√Ķes) nos √ļltimos 12 anos. O levantamento √© da Deloitte, em parceria com a B3 ‚Äď Brasil, Bolsa, Balc√£o. Essa √© umas das principais preocupa√ß√Ķes das empresas de capital fechado que pretendem entrar no¬†mercado¬†de a√ß√Ķes.

O levantamento ‚ÄúCustos para abertura de capital no Brasil ‚Äď Uma an√°lise sobre as ofertas entre 2005 e 2017‚ÄĚ foi realizado com 198 companhias que abriram capital ou realizaram ofertas subsequentes de a√ß√Ķes (as chamadas follow-ons) entre janeiro de 2005 e abril deste ano.

De acordo com a an√°lise, na mediana dos indicadores, o custo para a realiza√ß√£o das tr√™s ofertas p√ļblicas de a√ß√Ķes realizadas at√© abril de 2017 (4,9% do valor das ofertas), foi maior do que o registrado em rela√ß√£o ao √ļnico IPO promovido em 2016 (3,7%). Em 2015, ano da pesquisa anterior, a mediana de custos ficou em 4,5% do valor dos IPOs.

A pesquisa aponta também que, entre janeiro de 2005 e abril de 2017, foram realizadas 149 IPOs e 110 follow-ons no Brasil. No entanto, em apenas dois anos (2006 e 2007) aconteceram quase 63% de todas as aberturas de capital do período.

Para manter a homogeneidade da amostra analisada, o estudo desconsiderou opera√ß√Ķes com valores de distribui√ß√£o superiores a R$ 10 bilh√Ķes, assim como as ofertas de a√ß√Ķes com esfor√ßos restritos de distribui√ß√£o conforme a Instru√ß√£o da Comiss√£o de Valores Mobili√°rios ‚Äď CVM 476, estas destinadas apenas a um n√ļmero limitado de investidores qualificados.

√Č interessante perceber tamb√©m que, na mediana, o custo das opera√ß√Ķes de follow-on ficou em 3,7% do valor das ofertas, abaixo, portanto, ao dos gastos registrados pelas companhias que realizaram IPOs. A diferen√ßa se d√° especialmente porque os investimentos para viabilizar a transforma√ß√£o de uma empresa de capital fechado para uma companhia aberta s√£o consider√°veis.

‚ÄúAp√≥s realizarem um IPO, as companhias passam a fazer parte de um grupo de empresas que precisam seguir princ√≠pios de governan√ßa, compliance e transpar√™ncia para dar respostas adequadas a um¬†mercado¬†regulado e, especialmente, aos acionistas. Dessa forma, e tendo em perspectiva apenas a manuten√ß√£o dessas estruturas incorporadas para a abertura de capital, o custo para a realiza√ß√£o de um follow-on naturalmente acaba sendo mais baixo‚ÄĚ, explica Fernando Augusto, s√≥cio-l√≠der de¬†Mercado¬†de Capitais da Deloitte.

De acordo com o estudo da Deloitte, a transição de uma empresa fechada para uma companhia de capital aberto, desde que bem planejada, é um processo simples.

As organiza√ß√Ķes que tenham o IPO em sua estrat√©gia devem se preparar com anteced√™ncia e avaliar cuidadosamente os desafios, as oportunidades e os riscos envolvidos nesse processo, contando, em muitos casos, com o aux√≠lio de consultores em diversas √°reas.

Variedades de custos

Se uma empresa decide abrir seu capital, terá de lidar basicamente com três tipos diferentes de custos: os diretamente ligados à preparação da empresa para se tornar uma companhia aberta; os associados à oferta, ou seja, os próprios custos de abertura de capital; e aqueles naturalmente associados à condição de uma companhia aberta.

Os custos relativos à preparação da empresa para a abertura de capital dependem, essencialmente, da estrutura que a empresa já possui, segundo o estudo da Deloitte. Além disso, cada setor de atuação possui características e comportamentos específicos, o que deve ser levado em consideração no levantamento de custos para a abertura de capital.

‚ÄúTendo em vista que abrir o capital pressup√Ķe, por exemplo, que a empresa seja auditada por uma firma de auditoria externa e que possua um n√≠vel adequado de transpar√™ncia, de controles internos e de governan√ßa corporativa, √© poss√≠vel dizer que empresas que tenham investido em uma prepara√ß√£o de longo prazo ser√£o menos impactadas por esses custos‚ÄĚ, indica Fernando Augusto.

No processo de abertura de capital e oferta p√ļblica de a√ß√Ķes, as empresas precisam escolher um ou mais coordenadores competentes que ser√£o bancos de investimentos, j√° que toda oferta p√ļblica deve ser conduzida por uma institui√ß√£o financeira autorizada a atuar no sistema de distribui√ß√£o de valores mobili√°rios. As despesas com os coordenadores s√£o geralmente os custos individuais mais altos da abertura de capital e s√£o negociadas diretamente entre a empresa e os coordenadores.

J√° os honor√°rios advocat√≠cios est√£o basicamente relacionados √† prepara√ß√£o do pedido de registro de companhia aberta, dos documentos da oferta, negocia√ß√£o do contrato de coordena√ß√£o e distribui√ß√£o, dilig√™ncia das informa√ß√Ķes da companhia, quest√Ķes societ√°rias e outras que surgem no decorrer do processo de registro e oferta.

H√° ainda os honor√°rios dos auditores independentes, que se referem basicamente √† participa√ß√£o desses profissionais na auditoria das demonstra√ß√Ķes financeiras que s√£o objeto para obter o registro de companhia aberta e na emiss√£o das cartas de conforto aos coordenadores sobre determinadas informa√ß√Ķes financeiras dos documentos da oferta.

No caso do trabalho dos auditores, as despesas s√£o proporcionalmente mais altas quando s√£o necess√°rias auditorias separadas de demonstra√ß√Ķes financeiras de empresas adquiridas ou a serem adquiridas, investidas contabilizadas pelo m√©todo de equival√™ncia patrimonial e garantidores financeiros.

‚ÄúAs empresas que decidem abrir seu capital devem ter em mente que o¬†mercado¬†passa a ter uma melhor percep√ß√£o das companhias que entram para a¬†bolsa de valores, especialmente em raz√£o da ado√ß√£o de pr√°ticas cont√°beis mais formais e rigorosas, fiscalizadas pela CVM e B3, melhores controles financeiros, sistemas de compliance, governan√ßa e gest√£o de riscos, transpar√™ncia, adequa√ß√£o a um novo ambiente de regulamenta√ß√£o e fiscal e pela cria√ß√£o de canais de comunica√ß√£o direta com acionistas e analistas de¬†mercado‚ÄĚ, conclui Fernando Augusto.

Fonte: www.ultimoinstante.com.br Рvalor-da-oferta-inicial-nos-ultimos-12-anos

Programa de integridade em compliance, conduta e ética, anticorrupção, antissuborno, que isso tem a ver comigo?

Tanto tem se falado sobre programa de integridade em compliance, conduta e √©tica, anticorrup√ß√£o, antissuborno e sem contar agora as quest√Ķes das normas ISO, para isso fizemos algumas pesquisas e seguem os resultados:

  • ISO 19600 – Compliance ‚Äď busca atender todas as obriga√ß√Ķes de conformidade da organiza√ß√£o, que v√£o al√©m de corrup√ß√£o e lavagem de dinheiro.
  • ISO 37001 ‚Äď Antissuborno ‚Äď oferta, promessa, doa√ß√£o, aceita√ß√£o ou solicita√ß√£o de uma vantagem indevida de qualquer valor (que pode ser financeiro ou n√£o financeiro), direta ou indiretamente, e independente de localiza√ß√£o, em viola√ß√£o √†s leis aplic√°veis, como um incentivo ou recompensa para uma pessoa que est√° agindo ou deixando de agir em rela√ß√£o ao desempenho das suas obriga√ß√Ķes.

Quando convenço alguém a fazer algo a meu favor oferecendo alguma vantagem financeira, eu não estaria corrompendo esta pessoa? Pagando propina ou subornando o sentido não é o mesmo, por isso acho que devemos para de tanta frescura, e deixar as coisas mais claras, desculpem se todo mundo entender, como vendo meu serviço de consultoria (risos).

Os temas envolvidos na ISO 19600 Sistema de Gestão de Compliance temos várias atividades que abrangem legislação e riscos relacionados à governança, tributos, trabalhista, ambiental, responsabilidade social, conduta profissional, concorrencial, segurança da informação, tecnologia, contabilidade etc., incluindo também os requisitos anticorrupção e antissuborno da ISO 37001.

Mas o tema abordado pela ISO 37001 está focado e restrito a suborno, não abrange fraude, cartéis e outros delitos antitruste/anticoncorrencial, lavagem de dinheiro ou outras atividades relacionadas a práticas corruptas, mas quando elaboramos o nosso código de conduta e ética, já não estamos abordando tudo isso em uma mesma política.

Os modelos de gestão das duas normas são similares, organizados conforme a estrutura de alto nível da ISO que está sendo adotada para todas as normas de sistemas de gestão das entidades citamos como exemplos a ISO 9001 e a ISO 14001 que já foram revisadas, permitindo uma implementação integrada de forma facilitada, mas a estruturação dos elementos das duas normas não é exatamente igual, parecem iguais, mas podem ser contempladas em uma mesma política, então por que implementar separadamente?

Dizem os especialistas que existem uma caracter√≠stica essencial que distingue a ISO 19600 da ISO 37001, pois a √ļltima foi elaborada como uma especifica√ß√£o com requisitos m√≠nimos para obter uma certifica√ß√£o acreditada (entendo que √© uma quest√£o comercial) e a norma de Compliance foi elaborada como um guia de diretrizes sem finalidade de certifica√ß√£o acreditada, pois j√° vi muita empresa com certifica√ß√£o ISO que deixa muito a desejar nos outros processos que n√£o s√£o auditados. Ainda acho que a empresa deveria ser a respons√°vel pela forma e pelo processo com que opera e ser punida quando n√£o estiver em conformidade.

Em fun√ß√£o do tipo e estrutura das duas normas, a ISO 37001 ter√° um esquema de certifica√ß√£o acreditada ‚Äď isto √©, com crit√©rios oficiais definidos pelo √≥rg√£o governamental nacional respons√°vel (no Brasil √© o INMETRO), a exemplo do que j√° ocorre com diversas normas de sistemas de gest√£o (p.ex. ISO 9001, ISO 14001, ISO 20000, ISO 27001, etc.), mas quanto custa tudo isso e ser√° que realmente √© t√£o efetivo assim? Tenho minhas d√ļvidas e algumas certezas, conhe√ßo muita empresa sem Certifica√ß√£o ISO que d√° de goleada em algumas empresas certificadas.

A quest√£o da norma ISO 19600 ‚Äď Sistema de Gest√£o de Compliance ‚Äď Diretrizes e da ISO 31000 ‚Äď Gest√£o de Riscos, ambas n√£o exigem certifica√ß√£o, mas interessante como tem gente vendendo a exame e certifica√ß√£o internacional na ISO 31000, por isso e muitas outras coisas que as certifica√ß√Ķes perdem seu valor pelas quest√Ķes comerciais que sobrep√Ķe os processos de conformidade com leis, normas e regulamentos, que deveriam ser crit√©rios primordiais em qualquer organiza√ß√£o atrav√©s de suas pol√≠ticas e procedimentos, devidamente suportados por uma gest√£o de riscos integrados entre controles internos, compliance, riscos, auditoria, gestores, administradores e conselheiros.

Governan√ßa corporativa independe do tamanho e porte da organiza√ß√£o e mais uma vez deixo aqui a minha evidencia da importancia dos controles internos alinhados a gest√£o de compliance, complementando por uma boa gest√£o de riscos, pois este trabalho deve estar em sinergia com as fun√ß√Ķes de auditoria, para que possamos ter realmente uma gest√£o de riscos integrados.

 

Propina ou suborno? Qual a diferença entre os dois termos? Por Rui Castro

Resultado de imagem para propina ou subornoSe, a esta hora, voc√™ j√° leu o seu jornal, ouviu r√°dio ou assistiu √† televis√£o, √© fatal que tenha passado v√°rias vezes pela palavra propina. √Č a palavra do ano no Brasil, e ainda estamos em abril ‚ÄĒprovavelmente j√° deveria t√™-lo sido nos anos anteriores, desde que a Lava Jato entrou em cena. Voc√™ sabe o que significa. √Č o dinheiro que, drenado dos bolsos da na√ß√£o pelos governantes para beneficiar empreiteiros amigos, tem parte dele redistribu√≠do para partidos e pol√≠ticos empenhados em se eternizar no poder, viver √† tripa forra ou ambos. A Odebrecht, por exemplo, pagou US$ 3,3 bilh√Ķes em propinas e caixa dois a 92 pol√≠ticos, de 2006 a 2014 ‚ÄĒdisse o notici√°rio.

Um passeio pelos dicion√°rios, no entanto, revela que propina (do latim “propina”, d√°diva), significa gorjeta, gratifica√ß√£o ‚ÄĒe s√≥. Assim rezam o “Aur√©lio” e o “Houaiss”. Ao estender cinquentinha fora do cart√£o para nossos amigos gar√ßons do Caranguejo ou do Bar Lagoa, estamos oferecendo-lhes uma inocente propina pela gentileza do servi√ßo prestado, e eles n√£o veem nenhum motivo para se ofender.

Enquanto isso, outra palavra, embora tenha o seu pr√≥prio e s√≥lido verbete, come√ßa a se evaporar da l√≠ngua: suborno. Diz o “Aur√©lio”: “Suborno. Ato ou efeito de subornar”. Subornar: “Dar dinheiro ou outros valores para conseguir vantagens; coisa oposta √† justi√ßa, ao dever ou √† moral”. Por extens√£o: aliciar, corromper, comprar. N√£o se faz isso com os queridos gar√ßons. Faz-se com pol√≠ticos, executivos e gente do governo.

Donde o que tem corrido solto no Brasil é suborno mesmo, não propina. Não que faça diferença, claro.

Apenas para que os cartunistas do futuro não cometam a injustiça de desenhar Lula de paletozinho branco meio amarrotado e borboleta preta, palito à boca, toalha no braço e bandeja na mão, servindo

.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro – propina-ou-suborno

A dura vida de um Compliance no mundo corporativo

H√° alguns anos o grande ‚Äúproblema‚ÄĚ era a auditoria, agora temos a fun√ß√£o de compliance, que nada mais √© que um profissional que busca conformidade entre leis, regulamentos e normas internas com os processos da organiza√ß√£o, e em certos casos ‚Äúlembrando‚ÄĚ ao gestor o que ele deve fazer, mas muitos n√£o aceitam as recomenda√ß√Ķes como deveriam e acham que estamos dificultando a forma de trabalhar.

Esta aí a grande dificuldade, pois evidenciar aquilo que a pessoa já esta cansada de saber é desgastante, mas isto deve ser feito por alguém. Afinal o oficial de conformidade (em inglês Compliance Officer) busca o cumprimento das regras e efetua testes de aderência, em muitas vezes em conjunto com o próprio gestor, sendo validado posteriormente pela auditoria, é como se fosse uma pré-auditoria de isso para que posteriormente possa ser validada e certificada.

Mas por que tanto rancor? Tanta resist√™ncia? Por desconhecimento da fun√ß√£o e porque a maioria das pessoas tem avers√£o a controles quando cobrados por outros, mas quando ele cria um controle operacional que funciona, √© novidade, √© inova√ß√£o, n√£o √© mesmo? Mas o ruim, √© que algums “especiliastas” de compliance tem confundido a cabe√ßa das pessoas dizendo que controle interno √© uma coisa e compliance √© outra, como fazer gest√£o de riscos sem os dois?

Estes “especilistas” que est√£o aproveitando o onda do “COMPLIANCE ON BUSINESS” dizem que basta implementar algumas pol√≠ticas de Conduta e √Čtica, Anticorrup√ß√£o/Antisuborno, Preven√ß√£o a Lavagem de Dinheiro e fazer um workshop, dizendo sigam as normas, a sua empresa j√° esta com um programa de integridade, me lembra um programa de televis√£o bem antigo “Acredite se Quiser” (veja um trecho do seriado:¬†Acredite se quiser com Jack Palance)

Em minha experi√™ncia profissional j√° presenciei o contador do banco enviando aquele e-mail de fechamento com instru√ß√Ķes de fechamento de carteiras, solicitando a entrega de concilia√ß√Ķes e metodologias de apura√ß√£o de resultado, emiss√£o de balancetes entre outros, mas quando pedimos para elaborar um procedimento para alguma atividade de sua √°rea, nunca tem tempo, mas quando algu√©m sai da empresa e o conhecimento vai junto, fica se lamentando a falta de conhecimento do processo.

E a área de TI, desenvolve uma enormidade de sistemas, mas quando pedimos a elaborar a documentação do sistema, dizendo o que cada linha do programa deve fazer, nem sempre tem, portanto o criador vai embora e a manutenção do sistema também, para que correr este risco, neste momento será que precisamos de um agente de compliance ou auditor para solicitar isso? Na realidade deveria ser padrão da empresa ter uma política para aquisição, desenvolvimento e manutenção de software.

E controle de acesso para que serve mesmo? Serve para (in)segurança da informação ou (des)governança corporativa ou (des)controle interno.

Falar de ISO 27000, ISO 20000, ISO 31000, ISSO 19600, IFRS, TRIBUTOS, COBIT, ITIL e COSO (ERM) para algumas pessoas estamos falando grego, até mesmo para alguns auditores é complicado, e sempre que posso oriento os profissionais de controles internos e compliance a buscar conhecimento sobre o assunto para poder discutir com todos os interessados e responsáveis na empresa, pois ele não precisa fazer, mas necessita entender a necessidade da organização e solicitar que façam.

A cultura de controle esta melhorando, em compara√ß√£o ao passado, mas esta longe do ideal, entretanto devemos evidenciar que para muitos ainda √© novidade, as quest√Ķes de gest√£o de riscos, seguran√ßa da informa√ß√£o, acesso remoto, computa√ß√£o na nuvem, outsourcing, gest√£o de continuidade de neg√≥cios, recupera√ß√£o de desastres, contabilidade internacional, gest√£o tribut√°ria, entre outros, deve estar na al√ßa de mira dos profissionais de compliance, controles internos, governan√ßa, riscos e auditoria, afinal compliance n√£o √© somente leis e regulamentos, √© gest√£o do neg√≥cio dentro das leis e com boa dose de conduta e √©tica, que a cada dia, a cada esc√Ęndalo, fica dif√≠cil defender o controle interno e compliance.

Tenho conversado com muitos profissionais de controles internos e compliance, por esse Brasil a fora e muitos tem se declarado, cansados de brigar, argumentar, de serem cobrados a cada falha de processo, pois muitos gestores, primeiro fazem a opera√ß√£o sem consultar as partes internas envolvidas, e temos que sair pela empresa limpando a sujeira, para minimizar o impacto da decis√£o sem embasamento suficiente e proteger a empresa, isso cansa demais, mas temos que insistir, se hoje est√° dif√≠cil, imaginem h√° 15 anos atr√°s quando comecei a falar sobre o assunto…

* Marcos Assi √© consultor da MASSI Consultoria, professor de MBA na Sustentare, FIA, Saint Paul, FECAP, Centro Paula Souza, entre outras, autor dos livros ‚ÄúGovernan√ßa, riscos e compliance ‚Äď mudando a conduta nos neg√≥cios‚ÄĚ e ‚ÄúGest√£o de Riscos com Controles Internos – Ferramentas, certifica√ß√Ķes e m√©todos para garantir a efici√™ncia dos neg√≥cios‚ÄĚ pela (Saint Paul Editora).