Gestora questiona demonstrações financeiras da Marfrig

29 nov, 2011 | Nenhum Comentário »

Os bons resultados operacionais da Marfrig no terceiro trimestre – motivo pelo qual as ações do frigorífico subiriam 26% desde a divulgação do balanço – foram alvos ontem de questionamentos da Empiricus, gestora de recursos.

Numa análise intitulada “Carta aberta por uma Marfrig mais aberta” em seu blog, a Empiricus colocou em dúvida os métodos contábeis e o nível de transparência nas demonstrações financeiras da companhia.

Segundo Rodolfo Amstalden, sócio e analista da Empiricus, as elevadas margens operacionais apresentadas no terceiro trimestre não foram bem esclarecidas.

A margem Ebitda (antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ficou em 11,5%, contra 6,2% um ano antes. As concorrentes listadas JBS e Minerva fizeram 5,1% e 8,5%, respectivamente.

A dúvida da Empiricus é em relação à linha de “outras receitas/ despesas operacionais”, sem a qual a margem Ebitda fica em 7,8% no trimestre. “Não ficou claro o que o Marfrig incluiu nessa linha e o impacto foi enorme”, disse.

Ele ressalta que melhora das margens pode ter sido proveniente de uma mera alocação para cima ou para baixo da linha de Ebitda “conforme a conveniência” ou mesmo resultado da não inclusão na demonstração de resultados, de ajustes no patrimônio.

Segundo a Empiricus, o Marfrig atribuiu alguns ajustes nos números de 2008 e 2009 à adoção do novo padrão contábil (IFRS). “Houve um aumento de provisão para estoques obsoletos de R$ 97 milhões justificado pela adoção do novo padrão. Mas é uma correção normal”, exemplificou.

O impacto agregado desse e outros ajustes atribuídos ao IFRS no saldo do patrimônio líquido consolidado ao fim de 2008 seria de R$ 394,3 milhões e de R$ 552 milhões em dezembro de 2009, pelos cálculos da Empiricus. Na prática, o indicador dívida líquida/ Ebitda sairia de 3,7 para 6,6 em 2008 e de 2,6 para 7,9 em 2009.

Um cálculo elaborado pela Empiricus – a partir da soma de linhas que tipicamente resultam na dívida – não bate com os números reportados. A diferença, em 2009, soma R$ 45 milhões e, em 2010, mais de R$ 1 bilhão. “Não estamos querendo jogar pedra na Marfrig à toa, mas achamos que algumas questões precisam de mais esclarecimentos”, disse Amstalden, para quem as explicações do Marfrig na teleconferência com analistas não foram satisfatórias.

A Empiricus ressalta que entrou em contato com a Marfrig para esclarecer seus questionamentos. A versão é contestada pela companhia, que informou ao Valor jamais ter recebido qualquer consulta da instituição.

Por comunicado, o Marfrig disse ainda que “cumpriu plenamente todas as normas do IFRS e que os questionamentos e considerações do blog Empiricus carecem de fundamento.”

No ano, as ações da Marfrig caem 40%.

Fonte: Marina Falcão, Valor Economico

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