Bancos querem alívio em regras de liquidez

Para enfrentar a partir do ano que vem uma nova regula√ß√£o que vai exigir dos bancos mais ativos l√≠quidos em seus balan√ßos, as institui√ß√Ķes financeiras pedem ao Banco Central (BC) o uso de uma parcela maior ou at√© integral dos dep√≥sitos compuls√≥rios. A ideia √© que a reserva mantida no BC, que soma R$ 386,1 bilh√Ķes, seja considerada no c√°lculo de um novo √≠ndice de liquidez, que os bancos ter√£o de reportar mensalmente.

A partir de abril de 2015, os bancos v√£o precisar ter uma reserva m√≠nima de ativos de alta liquidez, aqueles que podem ser transformados em dinheiro rapidamente em per√≠odos de estresse. √Č o caso, por exemplo, de t√≠tulos p√ļblicos e a√ß√Ķes de empresas frequentemente negociadas em preg√£o.

Pelas novas exig√™ncias, a raz√£o entre o estoque desses ativos e o total de sa√≠das l√≠quidas de caixa previstas para um per√≠odo de 30 dias dever√° resultar em um √≠ndice de 60%. At√© 2019, quando a regula√ß√£o se tornar√° ainda mais rigorosa, os bancos v√£o precisar reportar um √≠ndice, conhecido como LCR (“Liquidity Coverage Ratio”, em ingl√™s), de no m√≠nimo 100%.

O √≠ndice s√≥ precisa ser apurado por institui√ß√Ķes com ativos superiores a R$ 100 bilh√Ķes, o que atualmente inclui Banco do Brasil, Ita√ļ Unibanco, Caixa Econ√īmica Federal, Bradesco, Santander, HSBC, Safra e BTG Pactual.

C√°lculos da autoridade mostram que em junho os bancos precisariam de R$ 371,2 bilh√Ķes para cobrir essas sa√≠das. √Č um valor quase equivalente ao total de recursos que os bancos t√™m sob a forma de dep√≥sito compuls√≥rio no BC, por isso o anseio das institui√ß√Ķes pelo uso dessas reservas.

O objetivo da norma, que está sendo adotada mundialmente dentro das regras de Basileia 3, é evitar que os bancos enfrentem problemas de liquidez em períodos de estresse, quando os saques costumam se intensificar.

Em minuta que j√° passou por audi√™ncia p√ļblica, o BC definiu que apenas uma pequena parte dos dep√≥sitos compuls√≥rios poder√£o compor o √≠ndice de liquidez. “Essa parcela depende do perfil de opera√ß√Ķes dos bancos, mas corresponde a aproximadamente 20% do montante do compuls√≥rio, dependendo do banco”, diz uma fonte que preferiu n√£o ser identificada.

As institui√ß√Ķes querem usar parcela maior do dep√≥sito retido no BC, sob o argumento de que o compuls√≥rio, por si s√≥, j√° comp√Ķe uma reserva de liquidez. O Valor apurou, por√©m, que para o BC, enquanto o compuls√≥rio √© uma reserva de liquidez do sistema, o LCR deve representar uma medida de liquidez individual, para casos espec√≠ficos de cada institui√ß√£o. Por isso, o regulador ainda avalia o pedido do setor.

Além disso, o compulsório é utilizado como instrumento de política monetária e pode trazer impactos ao índice nos períodos em que sofre mudanças.

Outro argumento dos bancos brasileiros √© que a n√£o inclus√£o do compuls√≥rio no c√°lculo pode significar perda de competitividade na compara√ß√£o com institui√ß√Ķes estrangeiras. No Brasil, o compuls√≥rio m√©dio representa cerca de 30% dos dep√≥sitos dos bancos. Na Argentina, segundo pa√≠s com maior al√≠quota de compuls√≥rio, equivale a 20%, seguida pelo M√©xico, com 10%.

Segundo fontes, os bancos veem a medida de liquidez com bons olhos, mas tentam flexibilizar a norma pensando no futuro e em diferentes condi√ß√Ķes de mercado.

Na prática, se os bancos puderem utilizar uma parte significativa do compulsório para compor o índice, será mais fácil atender a norma em períodos de menor liquidez, especialmente em momentos de expansão do crédito.

O diretor da Deux Consultoria e professor da Funda√ß√£o Instituto de Pesquisas Econ√īmicas (Fipe), Marcelo Allain, explica que, em determinados momentos da economia, √© poss√≠vel que os bancos tenham de escolher ativos menos rent√°veis para manter o √≠ndice em linha com o requerido.

√Č poss√≠vel, por exemplo, que um banco tenha que alocar recursos em t√≠tulos p√ļblicos em vez de liberar cr√©dito. Mas Allain lembra que os bancos brasileiros est√£o bem posicionados no momento em termos de liquidez. “O BC fez simula√ß√Ķes para evitar esse impacto. O √≠ndice pode ser um limitador para a expans√£o das carteiras de cr√©dito, mas n√£o √© algo que impede o crescimento atualmente”, diz.

Por enquanto, com a economia fragilizada e a restri√ß√£o do mercado de cr√©dito, liquidez n√£o √© um problema para os bancos. O Valor apurou que ao menos tr√™s grandes institui√ß√Ķes j√° teriam um LCR maior que 100%, ou seja, j√° estariam preparadas para atender o requerimento em 2019.

O diretor de rela√ß√Ķes com investidores do Ita√ļ Unibanco, Marcelo Kopel, diz que os atuais crit√©rios de gest√£o de liquidez aplicados no banco permitem que a institui√ß√£o enfrente a nova regra com tranquilidade, mas diz que o sistema pode ser afetado de formas distintas de acordo com o momento. “Depende do crescimento da economia e da velocidade que os bancos v√£o expandir seus balan√ßos. Mas no pr√≥ximo ano e meio n√£o vejo nenhum drama pela frente”, disse.

Executivos de dois outros grandes bancos também afirmaram que, atualmente, o atendimento à norma não preocupa e que só vai trazer mudanças operacionais e tecnológicas.

Procurado pela reportagem, o BC n√£o comentou. A autoridade est√° avaliando as sugest√Ķes enviadas pelos bancos e promovendo encontros para discutir pontos espec√≠ficos da regra. A expectativa √© que a circular com o novo indicador seja publicada at√© o fim do ano. (Colaborou Carolina Mandl).

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Cade aprova substituição de terminais de bancos pelo Banco24Horas

ATMA autoridade brasileira antitruste concordou que parte dos terminais de autoatendimento (ATMs) de sete grandes bancos se transforme em caixas eletr√īnicos da rede Banco 24 Horas. Com isso, terminais que hoje servem para acessar apenas Banco do Brasil, Ita√ļ-Unibanco, Bradesco, Caixa Econ√īmica Federal, Santander, HSBC e Citibank poder√£o ser usados tamb√©m por clientes de outras 26 institui√ß√Ķes financeiras associadas √† Tecnologia Banc√°ria S.A. (TecBan), empresa de presta√ß√£o de servi√ßos que √© propriet√°ria da rede.

Anunciado em julho, o acordo entre os sete bancos, principais acionistas da TecBan, foi aprovado sem restri√ß√Ķes pela Superintend√™ncia-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econ√īmica (Cade), segundo despacho publicado no ‚ÄúDi√°rio Oficial da Uni√£o‚ÄĚ desta quinta-feira. Conforme o Valor j√° tinha noticiado, a opera√ß√£o inclui aumento, de 5,95% para 10%, da participa√ß√£o da Caixa no capital da empresa.

O edital disponibilizado pelo Cade com ¬†a descri√ß√£o da opera√ß√£o n√£o diz qual √© precisamente o n√ļmero de terminais que passar√£o a ser da bandeira Banco24Horas. Informa apenas que eles representam ‚Äúmenos de 6% do total atual de ATMs instalados no pa√≠s‚ÄĚ.

Segundo noticiou o Valor em julho, o acordo pode abranger ¬†11.325 caixas eletr√īnicos ¬†localizados ¬†fora ¬†das ag√™ncias e postos ¬†dos sete grandes bancos, ¬†em um movimento estimado para ocorrer nos pr√≥ximos quatro anos. Na ocasi√£o, o Banco24Horas tinha cerca de 15.300 terminais.

O aumento de participa√ß√£o acion√°ria da Caixa na TecBan vir√° da redu√ß√£o das fatias detidas por ¬†Ita√ļ-Unibanco, Santander, Bradesco e Banco do Brasil. Cada um dos quatro s√≥cios vai alienar √† institui√ß√£o financeira federal pouco mais de 1% de participa√ß√£o. Atualmente, eles det√™m, respectivamente, 25,94%, 20,82%, 16,31% e 13,53%. HSBC e Citibank continuar√£o, respectivamente, com 9,02% e 5,64% e acionistas menores, com 2,78%, segundo a documenta√ß√£o disponibilizada pelo Cade.

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Com buscas previstas na próxima semana, Lava-Jato pode ter delação de executivos

A Opera√ß√£o Lava-Jato deve entrar numa nova fase na semana que vem, depois do segundo turno das elei√ß√Ķes, com a realiza√ß√£o de buscas e apreens√Ķes de documentos, pedidos de dilig√™ncias, como quebra de sigilos banc√°rio e fiscal, e eventuais cumprimentos de mandados de pris√£o contra suspeitos.

A expectativa de fontes que acompanham o passo a passo das investiga√ß√Ķes √© a de que essa fase operacional da Lava-Jato tenha in√≠cio a partir da segunda quinzena de novembro. Boa parte desses procedimentos ainda n√£o foi realizada porque os t√©cnicos da Pol√≠cia Federal est√£o identificando cada uma das informa√ß√Ķes prestadas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, para preparar os novos passos da apura√ß√£o.

As pris√Ķes est√£o proibidas at√© ter√ßa-feira, segundo determina√ß√£o da legisla√ß√£o eleitoral que tem o objetivo de evitar o uso pol√≠tico de deten√ß√Ķes √†s v√©speras do pleito e nos primeiros dias que o sucedem. Desse modo n√£o s√£o esperadas a√ß√Ķes “espetaculares” entre os dias que antecedem as elei√ß√Ķes e imediatamente depois da vota√ß√£o de domingo.

As novas a√ß√Ķes devem ocorrer dentro de um prazo um pouco maior, pois os t√©cnicos respons√°veis pela apura√ß√£o ter√£o que pedir dilig√™ncias para confirmar as informa√ß√Ķes dadas nos depoimentos de Costa. A partir do acordo de dela√ß√£o premiada que foi feito com as autoridades para auxiliar nas investiga√ß√Ķes em troca de redu√ß√£o de pena, Costa revelou o pagamento de propina em valores entre 1% e 3% dos contratos da Petrobras, num esquema que envolveria dezenas de pol√≠ticos e empresas que disputaram concorr√™ncias da estatal.

Como o ex-diretor teria detalhado um esquema que funcionou por muitos anos envolvendo v√°rias pessoas, esses t√©cnicos ter√£o que separar as informa√ß√Ķes para requisitar procedimentos de apura√ß√£o espec√≠ficos seja na sede de empresas ou nas resid√™ncias de suspeitos. A expectativa √© a de que o n√ļmero de dilig√™ncias seja elevado e, por isso, houve refor√ßo na equipe que trabalha na opera√ß√£o.

Os t√©cnicos da PF ter√£o que analisar as informa√ß√Ķes de Costa ao lado de outros depoimentos, como o do doleiro Alberto Youssef, que seria o respons√°vel pela remessa de valores para o exterior, para organizar as pr√≥ximas a√ß√Ķes da Opera√ß√£o. Caso haja contradi√ß√£o entre a informa√ß√£o dada por um com a prestada por outro eles dever√£o pedir dilig√™ncias para verificar qual est√° mais pr√≥xima da verdade, como a confirma√ß√£o de movimenta√ß√£o financeira por bancos ou empresas.

Mesmo se houver converg√™ncia entre os depoimentos os investigadores devem requisitar novos procedimentos para checar o que foi falado. Quanto mais verifica√ß√Ķes eles fizerem maiores s√£o as chances de o Judici√°rio aceitar as provas e garantir a legalidade das investiga√ß√Ķes.

O Valor PRO, servi√ßo de informa√ß√Ķes em tempo real do Valor, apurou que advogados que defendem as empresas citadas por Costa e pelo doleiro contam com a possibilidade de os novos passos da Lava-Jato serem tomados logo depois do segundo turno. O “timing” exato para a ocorr√™ncia das dilig√™ncias depende da celeridade da PF em organizar as informa√ß√Ķes obtidas at√© aqui e planejar os pr√≥ximos atos. Da√≠ o pedido de refor√ßo na equipe.

Tamb√©m foi cogitada pela defesa uma estrat√©gia de dela√ß√£o conjunta pela qual as empresas prestariam informa√ß√Ķes simultaneamente √†s autoridades em troca de redu√ß√£o de puni√ß√Ķes no futuro. Caso seja levada a cabo essa estrat√©gia representaria uma esp√©cie de “cartel na dela√ß√£o”, j√° que, ao inv√©s de se prontificarem individualmente a colaborar com as autoridades, as empresas o fariam em conjunto. No entanto, o Minist√©rio P√ļblico Federal em Bras√≠lia ainda n√£o recebeu qualquer pedido formal de dela√ß√£o das companhias que foram citadas no caso.

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Nova regulação afeta liquidez do mercado

Prev a perdasAs oscila√ß√Ķes de mercado, na semana passada, despertaram d√ļvidas sobre se as regula√ß√Ķes banc√°rias implantadas ap√≥s a crise financeira de 2008 exacerbaram quedas de pre√ßos ao limitar a capacidade dos bancos de Wall Street de atuarem como formadores de mercado.

Depois que as a√ß√Ķes e alguns t√≠tulos corporativos ca√≠ram na semana passada, alguns gestores de fundos de hedge disseram que as exig√™ncias de maior capital haviam limitado a capacidade das mesas de opera√ß√£o de Wall Street de atenuar as quedas por meio de opera√ß√Ķes de compras de ativos – atua√ß√£o conhecida como “fomentadora de liquidez”. Tamb√©m culparam a “regra Volcker”, da Lei Dodd-Frank, que imp√Ķe limites aos bancos garantidos pelo governo dos EUA de especular com alguns ativos, o que inclui d√≠vida corporativa.

Mas nem todos concordaram. Um executivo s√™nior de um grande banco americano disse que as queixas dos gestores de fundos a respeito da baixa liquidez n√£o eram porque as negocia√ß√Ķes haviam parado. Em vez disso, eles estavam desapontados com os pre√ßos que os fundos receberam pelos t√≠tulos que estavam tentando vender.

“Quando ou√ßo queixas sobre uma menor liquidez, me lembro que acontece a mesma coisa quando h√° muita liquidez”, disse Paul Volcker, o ex-presidente do Federal Reserve cujos pedidos para limitar a capacidade dos bancos tomadores de dep√≥sitos de apostarem com seu pr√≥prio dinheiro inspirou a regra que leva seu nome, em um e-mail. “A percep√ß√£o dos operadores e dos investidores a respeito da capacidade de vender qualquer coisa instantaneamente contribuiu para a alavancagem excessiva e para a tomada de risco que levou √† crise.”

Esses s√£o quatro dos principais pontos levantados por ex-reguladores, estrategistas, acad√™micos e outros participantes do mercado a respeito do relacionamento entre as regula√ß√Ķes banc√°rias e a liquidez:

1) A liquidez que existia antes da crise de 2008 era desej√°vel?

Empresas como a American International Group e o Citigroup tomaram riscos antes da crise financeira que ajudaram a impulsionar a liquidez em t√≠tulos atrelados a hipotecas. Quando o mercado caiu, se deram conta de que haviam subestimado os riscos e o governo precisou intervir e resgat√°-las. As novas regula√ß√Ķes visam a for√ßar os grandes “players” do mercado a precificar os riscos de forma mais cautelosa.

“√Č algo muito bom que n√£o tenhamos AIGs dispostas a oferecer uma grande liquidez e que estejam comprando essas coisas agora, de forma que n√£o teremos que resgat√°-las um dia”, disse Barney Frank, ex-congressista de Massachusetts que foi coautor da Lei Dodd-Frank.

2) Mesmo sem as novas regras, os bancos de Wall Street gostariam de oferecer o tipo de liquidez que existia antes de 2008?

Durante a crise, os seis maiores bancos dos EUA perderam mais dinheiro com as opera√ß√Ķes realizadas durante cinco trimestres do que levantaram nos 13 trimestres anteriores entre meados de 2006 e 2010, segundo c√°lculos de Mark Williams, ex-avaliador banc√°rio do Fed que agora ensina gest√£o de risco na Universidade de Boston.

“Por que um banco interviria no meio do processo para possivelmente perder dinheiro em um momento em que os pre√ßos est√£o em queda?”, questiona Peter Tchir, diretor de estrat√©gia da Brean Capital LLC em Nova York. “O mercado de b√īnus corporativo, especialmente o de alto rendimento, tende a congelar antes de todo o resto. Isso sempre representou um problema e acabou piorando com a postura cautelosa dos grandes bancos desde a crise.”

3) A liquidez do mercado de títulos do Tesouro dos EUA também pode desaparecer?

A regra Volcker exime os t√≠tulos do Tesouro dos EUA de suas restri√ß√Ķes. A posse desses t√≠tulos pelos bancos se multiplicou por oito desde 2007, segundo dados da Federal Deposit Insurance Corp. Quando os formadores de mercado n√£o vendem t√≠tulos do Tesouro dos EUA rapidamente porque os pre√ßos est√£o em alta, n√£o se trata de liquidez, segundo Tchir. Tem mais a ver com o fato de os negociantes estarem tentando evitar preju√≠zos que eles provavelmente teriam se precisassem voltar atr√°s e comprar a um pre√ßo mais alto depois.

4) Em algum momento existiu realmente mais liquidez?

O estoque de t√≠tulos de d√≠vida corporativa dos “dealers” prim√°rios recuou para US$ 38 bilh√Ķes neste m√™s, contra um pico de US$ 285 bilh√Ķes em 2007, segundo dados do Fed de Nova York. Essa situa√ß√£o √© mencionada, algumas vezes, como prova da import√Ęncia comercial reduzida dos bancos de Wall Street.

Contudo, mesmo quando os bancos tinham um estoque sete vezes maior, eles n√£o conseguiam oferecer liquidez em mercados de b√īnus corporativos quando surgiu a crise de 2008. A falta de liquidez – medida pelo tempo que levaria para vender todos os t√≠tulos em aberto em transa√ß√Ķes di√°rias – chegou a um pico de 550 dias no final de 2008, segundo dados compilados pelo analista Chase Van Der Rhoer, da Bloomberg Briefs. Desde 2010, flutuou entre 300 e 425 dias. Essa √© uma liquidez muito melhor do que a do auge da crise.

“A ideia de que h√° uma esp√©cie de era dourada da liquidez, de liquidez n√£o ilus√≥ria, para a qual dever√≠amos tentar voltar, me causou muitos problemas”, disse o vice-presidente do Banco da Inglaterra, Jon Cunliffe, em uma confer√™ncia em Washington.

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Bancos avan√ßam em cart√Ķes pr√©-pagos

Cart√£o pr√©-pago“Vai ser d√©bito, cr√©dito ou parcelado?” A depender da ind√ļstria de cart√Ķes, e de alguns dos maiores bancos do pa√≠s, a cl√°ssica pergunta do lojista sobre a forma de pagamento com cart√£o vai ganhar uma quarta alternativa no ano que vem: o pr√©-pago.

Com popularidade crescente nos Estados Unidos, os cart√Ķes pr√©-pagos parecem ter entrado definitivamente no radar dos grandes bancos brasileiros. At√© as credenciadoras, respons√°veis por aceitar o cart√£o no varejo, v√£o reformular a interface de suas maquininhas para dar mais evid√™ncia ao produto a partir do ano que vem.

No √ļltimo m√™s, dois movimentos deixaram em evid√™ncia a disposi√ß√£o dos bancos em avan√ßar no pr√©-pago. A Caixa Econ√īmica Federal comprou 49% do capital da Vale Presente, emissora de cart√Ķes pr√©-pagos controlada indiretamente pelo empres√°rio Carlos Roberto Wizard Martins. Em seguida, o Santander anunciou que est√° em negocia√ß√Ķes para a compra de uma participa√ß√£o na Super, tamb√©m de pr√©-pagos, que tem 180 mil contas de usu√°rios. Nos dois casos, as compras t√™m como objetivo dar aos bancos um ponto de partida para operar no segmento.

Tais movimentos mostram que a aten√ß√£o dos bancos vai al√©m dos cart√Ķes pr√©-pagos mais tradicionais, como o vale-refei√ß√£o e alimenta√ß√£o (vouchers) ou os cart√Ķes de transporte (que substitu√≠ram a carta frete). Tem se manifestado em produtos pr√©-pagos que prometem ajudar a levar os bancos √† baixa renda n√£o-bancarizada. A d√ļvida, por√©m, √© se tal aposta vai se provar rent√°vel como tem sido no caso do cart√£o de cr√©dito.

O setor de pr√©-pagos no Brasil deve movimentar um volume financeiro de R$ 100 bilh√Ķes em 2014, incluindo na conta os vouchers e os cart√Ķes de transporte, um crescimento de 20% na compara√ß√£o anual. Os dados s√£o do Grupo Setorial Pr√©-Pagos (GSPP), estimados pela Euromonitor.

Entre as institui√ß√Ķes financeiras que n√£o sa√≠ram √†s compras no segmento, o Banco do Brasil emitiu cerca de 2 milh√Ķes de pr√©-pagos de uso geral – que passam em qualquer lojista. No fim de 2014, espera contar com 2,5 milh√Ķes de cart√Ķes, movimentando cerca de R$ 1,2 bilh√£o. Entre os alvos est√£o os correntistas do banco, que j√° t√™m um cart√£o de cr√©dito, mas que sacam dinheiro para pagar prestadores de servi√ßo. O correntista poderia pedir a emiss√£o de um cart√£o em nome do prestador.

“√Č um produto em que a rentabilidade precisa ser pensada de forma mais ampla, n√£o s√≥ olhando o pr√©-pago”, afirma Raul Moreira, diretor de cart√Ķes do BB. “√Č preciso considerar que traz mais base de clientes para o banco e que reduz os custos que temos com saques.” A l√≥gica √© que o pr√©-pago ajuda a criar um hist√≥rico comportamental do cliente, e possibilita oferta de produtos financeiros mais complexos.

Al√©m de pr√©-pagos de uso geral, ainda pouco difundidos, o BB tem cart√Ķes de transporte e divide com o Bradesco sociedade na Alelo, que emite vouchers e outras modalidades de pr√©-pagos. O banco tem ainda uma parceria com a Oi. Se somado todo este universo, o BB deve encerrar 2014 movimentando cerca de R$ 11 bilh√Ķes nos pr√©-pagos.

No Bradesco, parceiro do BB na Alelo, a aposta em pr√©-pagos de bancariza√ß√£o se concentra na joint venture do banco com a operadora de telefonia Claro. “A ativa√ß√£o do produto ainda √© bastante baixa, mas √© uma evolu√ß√£o que leva tempo. Vai ser um processo cultural, de investir no potencial do cliente n√£o bancarizado”, afirma Ces√°rio Nakamura, diretor da Bradesco Cart√Ķes.

As bases para o avanço do mercado de pré-pagos, em especial os voltados para baixa renda, foram lançadas no fim de 2013, quando o Banco Central (BC) regulamentou o mercado de meios de pagamento. Além de estabelecer regras de governança, exigências de capital e outros requisitos para quem operar com pré-pagos, a autoridade monetária criou a conta de pagamento, espécie de conta corrente simplificada em que ficam armazenados os recursos do cartão.

O desenho da regula√ß√£o, na vis√£o do mercado, foi feliz ao permitir que, em contas de pagamento, o aporte mensal de recursos n√£o supere o R$ 1,5 mil e que elas possam ser abertas apenas com o CPF do usu√°rio. Processo mais simples que o da conta corrente, que exige comprovante de endere√ßo para ser aberta. “A conta de pagamento √© a nova fronteira da bancariza√ß√£o no Brasil e vai se consolidar como uma alternativa √† conta corrente”, diz Moreira, do BB.

Para a Caixa, que fechou recentemente a compra da Vale Presente, o potencial de crescimento dos pr√©-pagos vai al√©m da bancariza√ß√£o. “Segmentos de cart√Ķes presente, corporativos, cart√Ķes de premia√ß√£o, mesada, entre outros, s√£o nichos que tendem a apresentar crescimento relevante nos pr√≥ximos anos”, afirma o diretor executivo de cart√Ķes do banco p√ļblico, M√°rio Ferreira Neto.

Na institui√ß√£o, os pr√©-pagos tamb√©m podem ser um instrumento para pagamento de benef√≠cios sociais. Ferreira tamb√©m afirma que os pr√©-pagos vinculados ao celular – a Caixa √© parceira da Tim nessa seara – ajudam a trazer para o banco um perfil mais jovem, “que usa servi√ßos banc√°rios sem precisar de um banco.”

Fora do universo dos bancos, o desafio √© ganhar escala para rentabilizar a opera√ß√£o. √Č esse o cen√°rio com que trabalha a Acesso, que emite um cart√£o pr√©-pago com bandeira MasterCard. A empresa tem atualmente 100 mil contas pr√©-pagas – e deve encerrar o ano com 120 mil. Para 2015, a meta √© chegar a 300 mil contas, afirma seu presidente, S√©rgio Kulikovsky.

Para Kulikovsky, os bancos t√™m mostrado mais interesse em competir no segmento de cart√Ķes pr√©-pagos emitidos para clientes de mais alta renda – seja para pagar funcion√°rios, seja para as despesas dom√©sticas. S√£o cart√Ķes em que o t√≠quete de recargas √© maior e o uso, mais frequente. “√Č um produto que acaba sendo mais rent√°vel do que o pr√©-pago para baixa renda, em que as recargas n√£o chegam a R$ 200″, afirma. Para atuar na base da pir√Ęmide, o controle de custos √© a chave, diz. Exemplo √© o fato de a empresa ter apenas 40 funcion√°rios.

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