Petrobras terá que fazer reavaliação de ativos do balanço

A Petrobras começa a segunda-feira detalhando para analistas os dados operacionais do terceiro trimestre, os quais não serão acompanhados das demonstrações financeiras da empresa, um fato inédito em sua história. A empresa também vai explicar as razões do adiamento da divulgação do balanço, que agora está sendo reexaminado pela auditoria PricewaterhouseCooper (PwC) às luz das denúncias e investigações feitas após a confissão do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa aos promotores e juízes da Operação Lava-Jato, de que os contratos eram superfaturados em 3%.

Na sexta feira, o chefe de auditoria da PwC, Marcos Panassol, fez apresentação aos membros do conselho de administração da estatal por videoconferência, em que deu detalhes sobre a auditoria nas contas da Petrobras. A reunião do conselho foi presidida pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, no lugar de Guido Mantega.

O Valor apurou que a PwC quer ter segurança de que os dados contábeis da Petrobras refletem a posição da companhia. Como surgiram dúvidas depois da delação premiada e informações de que fraudes e negócios de outro natureza ocorreram, os auditores precisam de mais confirmações sobre os números.

“Que [os valores] foram pagos não há dúvida, mas se foi corrupção é preciso retirar [os valores do balanço]. Se a Rnest aparece com x bilhões [de investimento], e se existe um desvio de 3%, é preciso retirar esses valores”, explicou fonte qualificada, acrescentando que os maiores problemas estão relacionados aos investimentos feitos nas refinarias que estão sendo construídas: Rnest, em Pernambuco, e Comperj, no Rio de Janeiro.

“Os outros são menores. Não há dúvida com relação ao pré-sal ou pós-sal. Mas a Holanda identificou pagamentos da SBM e isso não chegou ao conhecimento de ninguém”, completou a fonte, admitindo que as novas notícias surpreendem os conselheiros da mesma forma como ao público externo.

Na explanação que fez, Panassol informou aos conselheiros que está trabalhando em conjunto com funcionários dos escritórios Trench, Rossi e Watanabe Advogados e com o americano Gibson, Dunn & Crutcher. Ele mencionou o apoio que está recebendo da companhia para obter as informações.

Advogados da Petrobras também disseram aos conselheiros que as duas firmas informaram à comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, que foram contratadas pela Petrobras e que a autoridade aguarda o término das apurações.

A fonte explicou que, “teoricamente”, as investigações podem levar um ano ou mais. As da SBM começaram em 2012 e se encerram na semana passada com um acordo entre a empresa, o Ministério Público holandês e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para pagamento de uma multa de US$ 240 milhões.

Mas o objetivo dos trabalhos das duas firmas é confirmar que os mecanismos de governança da companhia e as práticas estão corretas. “É preciso ter segurança de que os mecanismos de ‘compliance’ existem e se estão sendo empregados, e isso pode levar dois, quatro meses”, informou a fonte.

“Vão verificar se a companhia dispõe de mecanismos adequados e se são efetivos. Ficou claro que não”, acrescentou. Ainda segundo essa fonte, já estão em curso “procedimentos corretivos”, que serão adotados pela Petrobras. O mercado vê com perplexidade o que já pode ser chamado o momento mais sombrio da história da estatal em seus 61 anos de existência.

Em mais um fato inédito, a companhia informou que pretende divulgar no dia 12 de dezembro demonstrações financeiras não auditadas. Os números virão com os ajustes que a própria empresa considerar necessários. Isso precisa ser feito para cumprir contratos financeiros que obrigam o envio das demonstrações contábeis, auditadas ou não, até 90 dias após o encerramento do trimestre.

Apesar de a reunião do conselho ter sido marcada para começar às 11h de sexta-feira, por volta de 8h30 uma parte dos conselheiros e diretores da Petrobras, além da presidente da estatal, Graça Foster, já estava reunida em São Paulo. Foi quando souberam da prisão do ex-diretor de Serviços, Renato Duque, implicado na delação premiada de empresários ligados à Toyo Setal.

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http://www.valor.com.br/empresas/3781116/petrobras-tera-que-fazer-reavaliacao-de-ativos-do-balanco#ixzz3JivD0mJ4

Coaf identifica movimentações financeiras atípicas de R$ 23,7 bi

CoafRelatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informa que pessoas físicas e jurídicas investigadas na Operação Lava-Jato fizeram movimentações consideradas atípicas no valor de R$ 23,7 bilhões entre 2011 e 2014. Só em espécie, o grupo movimentou R$ 906,8 milhões. Ao todo, o Coaf produziu 108 relatórios com alertas sobre possíveis irregularidades nas movimentações financeiras do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e das empreiteiras, entre outras pessoas e empresas acusadas de fraudes em contratos com a estatal.

Nos relatórios do Coaf aparecem os nomes de 4.322 pessoas e 4.298 empresas que, de alguma forma, participaram da movimentação da montanha de dinheiro, parte dele de origem ilegal, vinculados a negócios da Petrobras. O Coaf deixa claro, no entanto, que os números não são valores absolutos. Em algumas situações nomes de pessoas e empresas são mencionados várias vezes. A soma total envolve saques e depósitos. Mas, ainda assim, as cifras são consideradas estratosféricas até mesmo para autoridades acostumadas a lidar com dados expressivos.

Relatórios deram origem À operação da PF

Os relatórios do Coaf deram origem às investigações que, mais tarde, levaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal a deflagrar a Operação Lava-Jato em 17 de março deste ano. Na última sexta-feira, a sétima etapa da operação, batizada de Juízo Final, resultou na prisão de 24 pessoas, entre elas dirigentes das maiores empreiteiras do país e do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. A decisão já está sendo considerada um marco histórico. É a primeira vez que dirigentes de empreiteiras acusados de corrupção são presos no país.

Analistas do Coaf começaram a produzir os primeiros relatórios em 2011 quase de forma burocrática. Os alvos eram empresas que, sem aparente capacidade técnica e operacional, passaram a fazer movimentação financeira elevada. Naquele momento os analistas não tinham a menor ideia de que, três anos depois, o caso ganharia dimensão nacional e se tornaria a mais explosiva investigação criminal da história recente do país.
— A gente acha que tem alguma coisa estranha acontecendo e manda os relatórios para PF e MP. A investigação criminal é que vai constatar se houve ou não crime. Foi assim no mensalão. E está sendo assim agora nessa operação, que ganhou uma dimensão enorme — disse ao GLOBO o presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues.

A produção dos analistas do Coaf aumentou no ritmo do trabalho da PF e do Ministério Público. Ano passado, quando começaram as investigações formais, foram produzidos 29 relatórios. Este ano, quando procuradores e delegados começaram a colecionar acordos de delação premiada e confissões detalhadas sobre fraudes na Petrobras e em outras áreas do governo federeal, o Coaf remeteu 78 relatórios ao procurador da República Deltan Delagnol e ao delegado Márcio Anselmo.

As análises do Coaf teriam começado a partir de empresas controladas por Alberto Youssef. O doleiro já tinha sido alvo de investigação no caso Banestado. Os analistas não imaginavam que, depois de preso e condenado, o doleiro teria fôlego financeiro para retomar e até ampliar os negócios ilegais. No decorrer da análise, acabaram se deparando com as movimentações de grandes empreiteiras vinculadas a empresas de fachada do doleiro. O emaranhado de transações ainda está sendo destrinchado.

Delações devem ampliar inquéritos

As investigações podem ser ampliadas também à medida que novas informações surgem no âmbito dos inquéritos em tramitação na 13ª Vara Federal, em Curitiba. Os primeiros inquéritos foram abertos e, a partir deles, a força-tarefa do Ministério Publico pediu e obteve a instauração de 10 processos. Mas outros inquéritos e processos devem ser abertos a partir das revelações de Paulo Roberto Costa, Youssef e do executivo Paulo Camargo, da Toyo Setal, entre outros que decidiram fazer acordo de delação premiada.

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Ex-diretor recebeu R$ 1,6 milhão de empreiteira, diz jornal

O ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, teria dito à Polícia Federal que recebeu pelo menos R$ 1,6 milhão da empreiteira UTC Engenharia depois que deixou o cargo na estatal, em abril de 2012. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo.

Duque é suspeito de integrar esquema de pagamento de propina com recursos de contratos firmados pela Petrobras. O ex-diretor foi preso na última sexta-feira, na sétima fase da Operação Lava Jato.

Segundo a publicação, Duque negou ter recebido propina. Ele teria dito que o valor referia-se a uma consultoria. O ex-diretor é acusado por dois delatores de ter recebido dinheiro em troca de contratos na petroleira.

Ainda de acordo com a reportagem da Folha, Duque “demonstrou hesitação” quando indagado se mantinha no exterior uma offshore chamada “Drenos”. Segundo os delatores, alguns dos pagamentos de propina ocorreram para essa empresa.

Nesta quinta-feira, o Banco Central informou ter bloqueado R$ 3,2 milhões em contas de Renato Duque.

No total, foram bloqueados R$ 47,8 milhões nas contas de 14 dirigentes e funcionários de empreiteiras sob investigação na Operação Lava Jato e de três empresas ligadas aos suspeitos.

Iniciada em março, a Operação investiga esquema de lavagem e desvios de dinheiro e está em sua sétima fase.

Nove grandes empreiteiras são investigadas. Segundo a Polícia Federal, as empresas têm R$ 59 bilhões de reais em contratos com a Petrobras.

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Corrupção e fraudes na Petrobras: Investimento e dividendo correm risco

A inédita situação da Petrobras, que pela primeira vez teve suas demonstrações financeiras rejeitadas pelo auditor externo, levou a uma série de especulações no mercado sobre o que pode acontecer com a empresa nos próximos meses e em 2015.

Sem um auditor para chancelar os números do balanço, a Petrobras não pode emitir dívida nos Estados Unidos, que é o maior mercado de crédito do mundo. Isso é um problema para qualquer empresa, mas para uma companhia que precisa captar entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões por ano para refinanciar parte de sua dívida e obter nova, o fato de não poder fazer novas emissões no mercado americano, restringe muito a margem de manobra.

E não é só. É evidente que os efeitos da confissão do ex-diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa, sobre a existência de um esquema que desviava 3% dos investimentos vai afetar profundamente as demonstrações financeiras.

A Petrobras terá que identificar todos os valores pagos como suborno e fazer uma baixa contábil no resultado, já que ela contabiliza ativos supostamente sobrevalorizados. Uma fonte do mercado observou que a PricewaterhouseCoopers pode exigir o chamado “impairment”, ou redução ao valor recuperável do ativo, que retire, por exemplo, R$ 10 bilhões [valor estimado inicialmente pelos investigadores da Lava-Jato] da conta dos ativos.

Esse valor seria lançado como despesa, o que reduziria o lucro e atingiria os dividendos das ações ordinárias (ON) da companhia, que são pagos com base no lucro anual. As ações preferenciais (PN) estão protegidas nesse aspecto, já que o estatuto prevê pagamento mínimo por outros critérios.

Outra consequência que preocupa são os investimentos. O plano de negócios da Petrobras prevê desembolso total de US$ 220 bilhões, mas descontados os projetos em avaliação, a carteira daqueles em implantação é de US$ 206,8 bilhões. Desse total, apenas US$ 179 bilhões estão contratados e outros US$ 30 bilhões se referem a projetos que são importantes, mas com maior flexibilidade. O problema é que a maior parcela são de projetos da área de exploração e produção que, se cortados, afetarão a curva de produção futura.

O problema é que uma importante parcela inclui projetos da área de exploração e produção que, se cortados, afetarão a curva de produção futura da companhia. A outra parte do investimento previsto, que certamente já está na linha de corte, é o dinheiro destinado ao início das refinarias Premium no Maranhão e no Ceará.

Já se sabe que elas sumiram do horizonte da Petrobras e não poderão ser iniciadas pelo menos até o fim da década. Mas retirá-las nesse momento pode ter efeito quase irrelevante – uma economia de aproximadamente US$ 2 bilhões por ano – o que é pouco diante da enorme aperto que a companhia enfrentará para equilibrar seu caixa em um momento de risco. É o que afirmaram dois analistas de bancos de primeira linha que pediram para não ter seus nomes identificados.

“Tenho sérias dúvidas sobre a possibilidade de a Petrobras poder cortar investimentos no ano que vem”, afirmou um fonte que pediu para não ser identificada.

Outro analista se diz preocupado porque os projetos em andamento precisam terminar rápido para começar a gerar receitas. “Não pode ser obra de igreja. É bom ela não fazer as refinarias premium, mas os que já estão em andamento não podem parar”.

A Petrobras vive o que pode ser considerada uma “tempestade perfeita”. A prisão de dois ex-diretores – em março, Paulo Roberto Costa, de Abastecimento, agora, Renato Duque, de Serviços – e as revelações de um esquema de subornos e superfaturamento foram conhecidas no momento em que alta do dólar afeta seu enorme endividamento e o preço do petróleo caminha para uma queda histórica.

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Fed anuncia revisão de suas práticas de supervisão dos grandes bancos

O Conselho do Federal Reserve informou nesta quinta-feira que vai conduzir uma ampla revisão de suas práticas de supervisão das instituições financeiras “grandes demais para falir” dos Estados Unidos.

Segundo nota divulgada em Washington, o Escritório do Inspetor Geral do banco central americano vai examinar dois aspectos do programa de análise do Sistema Federal Reserve para as grandes organizações bancárias.

O trabalho de revisão  sobre a supervisão dos maiores bancos terá como foco: “Se o Conselho [do Fed] recebe a informação necessária para assegurar a tomada de decisões de supervisão consistentes e saudáveis com relação à supervisão das maiores e mais complexas organizações bancárias. E se métodos adequados estão em vigor para que os membros do conselho sejam alertados de questões materiais que possam exigir reconciliação de avaliações divergentes relacionadas à supervisão dessas firmas.”

A divulgação do comunicado ocorre um dia antes do depoimento do presidente do Fed de Nova York, William Dudley, a uma comissão do Senado sobre a relação do banco central com as firmas sob sua regulamentação. O banco tem sido acusado de ser muito complacente com os bancos que supervisiona, incluindo o Goldman Sachs.

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